Introdução
Embora a “rudimentar rede de conexão social” (segundo Biz Stones), aka twitter, já esteja passando da fase de hype para mainstream entre descolados, moderninhos e céticos de todos os tipos, sempre ocorre um fenômeno comum a vários setores da sociedade, e não seria diferente em Educação:
Virou “moda” ou “fetiche” achar que os microblogues são o grande rei da cocada preta e que o seu uso geral em Educação será/é o grande pulo do gato!
Correndo o risco de parecer mais rabugento do que normalmente sou com esta ferramenta, resolvi escrever os 5 motivos pelos quais *eu*, após experimentá-la intensamente, descarto-a como ferramenta, de uso geral, adequada a uma educação para a Era da Informação e do Conhecimento.
PS: Eu continuarei a usar um perfil “corporativo” para fins de investigação. Não investigação de usos educativos, que como argumentarei a seguir considero descartado!
Meus 5 motivos
- Aprendizagem passa necessariamente por reflexão – Quando se está aprendendo algo ou quando se está organizando atividades que potencializem aprendizagens é fundamental que se tenha reflexões e decantação de ideias. Quer seja a reflexão antes de se responder a uma indagação, quer seja a reflexão sobre um novo conceito ou mesmo o tempo necessário para “a ancoragem” com conhecimentos prévios. Incentivar o fluxo contínuo (e irrefletido) de informações contribui muito mais para a produção de ruídos que podem ser nocivos a compreensão de ideias, valores ou conceitos do que se está aprendendo e/ou ensinando.
- Aprendizagem em rede passa por organização dos fluxos informacionais – A perspectiva sócio-interacionista da aprendizagem reforça a importância das interações e da linguagem nos processos de aprendizagem, entretanto esta perspectiva destaca que “quanto mais ricas as interações, maior e mais sofisticado será o desenvolvimento…” e convenhamos, não poder haver riqueza de interações, no caso geral, com apenas 140 caracteres!
- Organizar a aprendizagem passa por escolher as ferramentas mais adequadas. – Não se trata aqui de rejeitar ou endeusar ferramentas a priori (como se costuma fazer com o twitter). Mas é papel dos professores comprometidos com o presente e o futuro de seus alunos refletirem criticamente sobre quais ferramentas se adequam a objetivos educacionais e não quais objetivos educacionais se adequam a ferramenta da moda! É possível que em situações bem específicas os microblogues possam ser hackeados para usos educacionais. Mas me parece uma grande temeridade e forçada de barra se usar o twitter no lugar de ferramentas dedicadas e adequadas a fins específicos.
- Aprendizagem cooperativa não prescinde da mediação daquele que aprende há mais tempo! – Considerando especificamente a realidade do professor brasileiro que atende a uma quantidade enorme de alunos no seu cotidiano docente (no ensino básico, por baixo, um professor atende em média mais de 300 alunos numa estimativa muito otimista!) é realmente coisa de quem não está na sala de aula real acreditar que um professor possa administrar, minimamente bem, o fluxo contínuo de informações (não indexadas e nem sempre contextualizadas com objetivos educacionais previamente organizados) que esta ferramenta possa produzir. Não se enganem, desenvolver a capacidade de gerenciar suas próprias aprendizagens não é favorecida numa ferramenta que incentiva a produção irrefletida e contínua de fluxos informacionais. Receio mesmo que em cursos superiores este fluxo contínuo possa impactar negativamente na habilidade de gerenciar aprendizagens, mesmo numa perspecitiva conectivista de aprendizagem!
- Aprendizagem requer auto-reflexão – Uma característica importante de quem aprende é perceber sua evolução ou olhar em perspectiva sua capacidade de tratar determinado objeto de aprendizagem. Uma ferramenta que não favorece a indexação do fluxo informacional dificulta este olhar em perspectiva, tão importante no ato de aprender e, mais importante de tudo, de aprender a aprender!
Alternativas
Observando o que se tem proposto para o twitter em contextos educacionais e levando em conta os argumentos acima (especialmente o terceiro) indico abaixo ferramentas que me parecem mais adequadas para o contexto educacional do que os microblogues:
Compartilhamento de Endereços
Aprender em rede e com uso das ferramentas da web 2.0 pode passar muitas vezes pelo compartilhamento de endereços web que sejam úteis para uma comunidade de aprendizagem ou mesmo para um subconjunto desta comunidade. Tão importante quanto compartilhar endereços e aplicativos web é achá-los depois de compartilhados.
Para estes casos no lugar do twitter, que embora até sirva para esta função é péssimo na indexação das informações compartilhadas por conta da sua restrição de 140 caracteres, é muito mais adequado usar um gerenciador social de favoritos (bookmarks).
Delicious pra quem não pode hospedar sua ferramenta e get-boo pra quem pode, são duas opções muito mais efetivas que uma conta no twitter!
Tanto o Delicious quanto o get-boo permitem compartilhar um endereço web (link), etiquetá-lo (“tagueá-lo”), inserir observações e muitas outras coisas que ficam prejudicadas no twitter.
Aqui um exemplo do get-boo aplicado numa comunidade de aprendizagem de física!
Conversas, discussão, projetos, etc
Discussões de projetos, anúncios rápidos ou não, organização de projetos, Brainstorms, aprendizagens diárias e tudo o mais que é proposto neste texto aqui pode ser muito melhor implementado com o bom e infalível blogue! E sim, você também pode fazer isto usando seu dispositivo móvel!
Uma discussão temática num blogue é muito melhor indexada e, do ponto de vista didático, mais organizada que usando microblogues.
A mediação daquele que aprende há mais tempo é facilitada numa ferramenta otimizada para organizar as discussões ou conteúdos por mais de um indexador (data, tag, categoria).
A qualidade de discussão é incomparável quando você não se restringe a 140 caracteres. Repare que a falta de limite técnico aos 140 caracteres não implique que você não trabalhe a concisão dos argumentos dos participantes da comunidade.
E se você escolher adequadamente seu motor de blogue, a escrita no mesmo, pelos vários integrantes da sua comunidade de aprendizagem, pode ser tão simples e otimizada quanto você queira e, possívelmente, até mais familiar do que nos microblogues.
Aqui um exemplo de blogue nesta perspectiva integradora. E aqui um exemplo de motor de blogue otimizado para ser alimentado via e-mail!
Gerenciamento da Inteligência Coletiva
Um dos vários motivos porque microblogues em educação é uma péssima ideia (em minha opinião), numa perspectiva de educar para a Era da Informação e do Conhecimento e não para o século XIX é que os microblogues não gerenciam bem a inteligência coletiva gerada nas interações. Mesmo utilizando-se os seus motores internos de busca avançada, não se consegue ter um ideia de quanto foi discutido, evoluído e produzido de inteligência num determinado coletivo aprendente.
Ao contrário dos microblogues, um gerenciador de listas de discussão (google grupos, yahoo grupos ou MailMan se você pode/quer instalar o seu próprio gerenciador no seu servidor) permite não só que as discussões possam fluir na sua comunidade como se encarrega de gerenciar no melhor estilo “menos é mais” a inteligência coletiva gerada pelas interações da comunidade.
Discutir (rasteiramente) no twitter além de ser um desperdício de tempo não permite que a inteligência coletiva que emerge do grupo possa ser, facilmente, gerenciada!
Interações Síncronas
E se você precisa, por uma demanda pedagógica, de interação síncrona você sempre poderá inserir no seu blogue um widget de chat!
E se o perfil sócio-econômico-tecnológico de sua comunidade permitir, você ainda pode fazer uso de sms para espalhamento (broadcast) de informações urgentes. O maior problema aqui é que o preço praticado pelas operadoras para o uso de sms no Brasil ainda é proibitivo. Mas este problema também atinge o uso dos microblogues mais intensamente em dispositivos móveis!
Uma última observação
Embora nesta altura do campeonato isto já devesse ser óbvio para qualquer pessoa que já tenha entrado no mundo dos adultos, sempre vale a pena relembrar e enfatizar. Não existem absolutos! Algo que falha miseralvelmente pra mim pode funcionar lindamente pra você. E vice-versa!
Tenha isto em mente antes de pegar as pedras E sim, os comentários estão abertos às suas considerações, afinal as conversações são muito melhores com mais de 140 caracteres, com reflexão e, mais importante de tudo, numa interface que organize as várias falas de modo organizado e intuitivo.

e=mc2. 3 letras, 1 algarismo. Um monte de reflexão, em muito menos do que 140 caracteres.
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Opa Marinho
Este é o ponto! Para se chegar a síntese de que E=mc2 muita reflexão (com mais de 140 caracteres) foi feita! A versão resumida não é compreendida de bate pronto nem com várias seções de 140 caracteres.
É necessário muito estofo teórico para se compreender toda a física por trás do E=mc2
Se o objetivo é aprender, apresentação de resumos e discussão resumida de ideias não levam a lugar nenhum
Mas obrigado por qualificar o texto com uma ótima provocação
abs
eu não uso o twitter para as aulas, mas desde que comecei a usar como distração, percebi que esta história de só se comunicar através de 140 caracteres é bobagem. Na maioria das vezes as mensagens trazem links para textos muito bons, reportagens, livros, contos, etc.
[...] Aprendendo em Redes de Colaboração na Era da Informação do Conhecimento « 5 motivos para não se usar microblogues em educação [...]
No país onde a média de leitura de livros/ano não passa de 2 títulos escrever 140 caracteres em microblogs já é alguma coisa. Nossos alunos detestam a escrita pq não conseguem ver significado nela já que, geralmente, ela é “ensinada” como um fim em si mesma, ou seja, descontextualizada socialmente. Escrever para outras pessoas – seguidores – demanda planejamento e adoção de comportamento escritor (desenvolvimento de habilidades específicas). Além disto, os microblogs são excelentes ferramentas para se escrever resenhas, resumos, indicar leituras, comentar links indicados por outros, ficar informado sobre assuntos de interesse. E estas competências e habilidades leitoras e escritoras não podem ser relevadas. Há que se aprender a usar as ferramentas dentro de suas limitações e possibilidades. E o ensino deste uso consciente e adequado passa necessariamente por um processo de reflexão e interação entre sujeitos do aprender e do ensinar.
Um abraço!!
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Opa Junior,
Obrigado por participar das conversações apresentando outro ponto de vista.
Eu concordo que nossos alunos, de um modo geral, detestam a escrita. Mas ao se usar outras ferramentas (listas de discussão e blogues por exemplo) eles podem se apropriar desta habilidade sem as limitações dos 140 caracteres.
Ser sucinto requer já alguma habilidade com a escrita. Por isto não acho os microblogues boas escolhas, mesmo olhando por este ângulo.
A característica dos microblogues que mais os desabona, para fins educacionais, nem é tanto o limite dos 140 caracteres, mas o fluxo contínuo e irrefletido de escrita.
Como você bem lembrou, o desenvolvimento de habilidades específicas só se dá experimentando esta habilidades específicas… do modo mais mais livre possível.
Quer escrever uma frase, uma linha ou um parágrafo… faça. Leia outras pessoas. Não passe os olhos, leia!
Tudo isto descarta uma ferramenta que restringe aos 140 caracteres e incentiva a falta de reflexão!
Mas repito, é uma opinião pessoal, não um dogma!
abs
No país onde a média de leitura de livros/ano não passa de 2 títulos escrever 140 caracteres em microblogs já é alguma coisa. Nossos alunos detestam a escrita pq não conseguem ver significado nela já que, geralmente, ela é "ensinsda" como um fim em si mesma, ou seja, descontextualizada socialmente. Escrever para outras pessoas – seguidores – demanda planejamento e adoção de comportamento escritor (desenvolvimento de habilidades específicas). Além disto, os microblogs são excelentes ferramentas para se escrever resenhas, resumos, indicar leituras, comentar links indicados por outros, ficar informado sobre assuntos de interesse. E estas competências e habilidades leitoras e escritoras não podem ser relevadas. Há que se aprender a usar as ferramentas dentro de suas limitações e possibilidades. E o ensino deste uso consciente e adequado passa necessariamente por um processo de reflexão e interação entre sujeitos do aprender e do ensinar.
Um abraço!!
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Opa Junior,
Obrigado por participar das conversações apresentando outro ponto de vista.
Eu concordo que nossos alunos, de um jodo geral, detestam a escrita. Mas ao se usar outras ferramentas (listas de discussão e blogues por exemplo) eles podem se apropriar desta habilidade sem as limitações dos 140 caracteres.
Ser sucinto requer já alguma habilidade com a escrita. Por isto não acho os microblogues boas escolhas, mesmo olhando por este ângulo.
A característica dos microblogues que mais os desabona, para fins educacionais, nem é tanto o limite dos 140 caracteres, mas o fluxo contínuo e irrefletido de escrita.
Como você bem lembrou, o desenvolvimento de habilidades específicas só se dá experimentando esta habilidades específicas… do modo mais mais livre possível.
Quer escrever uma frase, uma linha ou um parágrafo… faça. Leia outras pessoas. Não passe os olhos, leia!
Tudo isto descarta uma ferramenta que restringe aos 140 caracteres e incentiva a falta de reflexão!
Mas repito, é uma opinião pessoal, não um dogma!
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abs
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O comentário foi totalmente excluído por ser completamente fora do tópico desta entrada no blogue, assim como de todo o conteúdo do blogue.
Propagandas até podem ser admitidas mas só se, minimamente, tiverem alguma relação com o blogue.
O editor!
Sérgio,
Comentei no seu comentário, lá no meu blog…um troca-troca, veja lá:
http://nepo.com.br/2009/09/18/sala-de-aula-2-0-sera-sem-micro-e-sem-internet/comment-page-1/#comment-6012
abraços,
Nepô.
[...] This post was mentioned on Twitter by TICs em Educação. TICs em Educação said: http://bit.ly/8XueGK 5 motivos para não se usar microblogues em educação #ad [...]
O teu texto, o comentário do Marinho, a tua resposta, o texto do Nepomuceno e o teu comentário lá valem a viagem
Em especial por teres mencionado uma coisa que é aquele óbvio que sempre precisa ser dito: os recursos devem ser definidos depois de traçados objetivos e organizado conteúdos
Ou junto, mas não antes.
abraços!
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Opa Su,
É até compreensível o deslumbramento com as novas tecnologias que vão surgindo. É desejável até se experimentar, mas sempre com critério. Primeiro se define os objetivos educacionais e somente depois (ou durante) se escolhe as ferramentas.
Mas a mercantilização da educação faz muita gente pensar sempre na ordem inversa, *podendo* impactar negativamente nos resultados esperados.
abs
[...] This post was mentioned on Twitter by TICs em Educação. TICs em Educação said: http://bit.ly/a0tx4t 5 motivos para não se usar microblogues em educação #ad [...]
[...] This post was mentioned on Twitter by . said: [...]
[...] This post was mentioned on Twitter by Moisés Basílio Leal. Moisés Basílio Leal said: RT @ticseducacao: http://bit.ly/doHiyo 5 motivos para não se usar microblogues em educação #ad [...]
[...] This post was mentioned on Twitter by ivanilda, TICs em Educação. TICs em Educação said: http://bit.ly/bDkEYT 5 motivos para não se usar microblogues em educação #ad [...]
Tenho a impressão que sua principal “richa” com o twitter é o limite de 140 caracteres. Estou “na luta” para me familiarizar com essas novas ferramentas virtuais, exatamente com a intenção de utilizá-las em minhas estratégias metodológicas. Sou professor e leciono Física e Matemática em escolas públicas. Até o momento não vejo o porque de descartar o twitter como recurso didático-pedagógico. Na verdade, leciono bem sem usar qualquer desses novos recursos. Eles não nasceram com essa finalidade específica, cabe a nós professores CONSTRUIR sua utilização para fins específicos. Se eu lecionasse Lingua Portuguesa, por exemplo, já estaria considerando o twitter, como em seu texto, ” …o rei da cocada preta…”, pois estou realmente APRENDENDO no twitter a mobilizar melhor minhas habilidades de manipulação dos “recursos” da nossa língua para conseguir sintetizar minhsa impressões, meus comentários, minhas ideias (às vezes deveras complexas) em 140 caracteres. Às vezes não consigo mesmo, mas a sensação de APRENDIZAGEM fica! Provavelmente eu não tenha sido claro o suficiente em minha exposição e certamente não conseguiria sê-lo em apenas 140 caracteres, mas é um excelente exercício de regência, concordância, semântica, etc. Vale a pena tentar!!!!
Ola James,
O ponto central que defendo é: Objetivos educacionais é que determinam a escolha das tecnologias e não o contrário.
Mas obrigado por enriquecer a discussão com a sua opinião.
Abs
Prezado,
Interessante ponto de vista com o qual concordo, ressaltando algumas diferenças.
Mas, concordo plenamente em que ferramentes devem se adequar aos objetivos educationais. Jamais o inverso. Assim, os microblogues surgem como uma febre e como tantas outras irão passar, assim que surgir uma outra novidade.
Se analisamor o perfil do microblogue, veremos que trata-se de um sistema para disseminação rápida e curta…podemos usar o mesmo na educação? Certamente!!
Mas jamais para transmitir contéudo ou fundamentar a aprendizagem no mesmo.
Entretanto, tais recursos devem ser incorporados de forma crítica e cautelosa aos processos de aprendizagem.
Vamos sempre nos recordar que o objetivo não é o uso de microblogue na educação, mas, sim, a educação, o processo de aprendizagem!!
Abraços, Carlos
[...] o uso de encurtadores de URL (links/apontadores) dentro e fora da web. Não só dentro dos microblogues, mas em várias publicações online (blogues, jornais, mídias, etc) e impressas (jornais, livros, [...]
Prof. não tem jeito, de agora em diante , ou é assim (com tecnologia) ou não se muda este Pais. Tenho a certeza a tecnologia é o grande BUM da educação para o século XXI.
Temos que achar um jeito!!
Olá Joelcio,
Não sou contra o uso da tecnologia, muito pelo contrário. Sou contra o uso por modismos ou sem critério pedagógico.
Os microblogues, como argumentei no texto, são inadequados para a aprendizagem no caso geral. Outras tecnologias menos “hypadas” são mais eficientes. Este é o ponto.
Nào é: arrume um jeito de usar Twitter em educação! E sim, para que objetios educacinais o twitter poder ser útil.
Como argumentei ele é inadequado em qualquer contexto sério. Outras tecnologias são muito mais adequadas.
abraços
[...] Professores precisam compreender que vivemos na era da comunicação e da informação2, que atualmente nenhuma atividade pode prescindir da comunicação, educação é essencialmente uma atividade colaborativa. Professores precisam descobrir wikis, listas de discussão, chats, blogues, etc. [...]
Concordo contigo Nélson, apesar de não ter refletido muito sobre o tema. Na verdade estou a refletir neste momento e está sendo interessante ver as considerações dos seu leitores. Eles trazem argumentos interessantes que você não se nega a debater, pelo contrário, e assim posso começar a fazer um juízo melhor do assunto. Sinto, no entanto, que muitos outros argumentos poderão surgir como, por exemplo, o fato de que uma saída mais “apressada” para o problema do limite dos 140 caracteres seria uma sequência infindável de seções de 140 carac., assim, a mensagem a ser passada poderia ser feita em várias seções, seguidamente. Todavia, essa “saída apressada para o problema”, no meu pouco conhecimento da matéria (tecnologia) não consegue resolver adequadamente o problema da reflexão crítica aprofundada.
Por outro lado, a possibilidade de estarmos fazendo uma reflexão mais consistente me parece ser mais agradável quando encontramos um mecanismo mais amplo, como, por exemplo, o que estou utilizando agora.
De certa meneira, acredito que esteja contribuindo com minha reflexão, tanto para a pesquisa sobre o assunto, quanto para a sua argumentação inicial. Lembro-me, inclusive, de um exemplo em minha escola, que talvez nem caiba bem nesse nosso debate, mas me foi caro em relação à compreensão da necessidade de um maior espaço (físico ou psicológico) para a consolidação do conhecimento. Dizia uma professora que não concorda com argumentos que dizem que nosas crianças não têm o chamado “capital cultural” pois seus alunos todos são bem informados, tendo acesso à internet, etc., etc. ,etc. Eu, por minha vez, ponderei que: sim, eles têm acesso à informação, entretanto lhes carece a FORMAÇÃO, o conhecimento, enfim, que ultrapassa em muito o espaço da informação simples que está por toda a parte. O que este adolescente faz com esta informação? Muitas vezes ele simplesmente a repassa aos de seu convívio, sem reflexão, sem assimilação, sem conexão com a rede complexa do conhecimento geral que perpassa as relações sociais. Ele não medita sobre ele. Ela é uma verdade em si mesma sem necessidade de acrescimos ou reduções.
Eu, então, trouxe um exemplo para a profª (que, infelizmente, acho que não chegou a ser compreendida direito): uma moça que trabalha para uma pessoa de meu convívio, no trato cotidiano da cozinha abriu a geladeira na copa) para retirar os materiais que iria levar para o fogão (na cozinha). Enquanto ia tirando e levando para o lado do fogão, a geladeira permanecia aberta; ao presenciar a cena, com muita delicadeza procurei argumentar que essa não era a maneira mais correta de agir, pois levaria ao consumo maior de energia elétrica. Ela riu de minha “ignorância” pois já havia visto várias vezes pela TV e revistas que o que faz aumentar o gasto de energia elétrica é o “abrir e fechar” constante da porta da geledeira! Eu me surpreendi de imediato com a argumentação dela, pois, efetivamente, “é o que se passa de INFORMAÇÃO” costumeiramente! A informação mais rápida é: você não deve estar abrindo e fechando a porta da geladeira pois irá consumir mais energia e, portanto, gastando mais na conta! No fundo, a lógica dela não está errada! E essa, dizia eu à profª, era a diferença entre informação e produção de conhecimento, mas tenho um pouco de dúvidas se cheguei a me fazer entender…rsrsrs
Abração.
Wagner, seu exemplo veio muito bem a calhar.
Fragmentos de informações, descontextualizadas e incentivadas a serem publicadas sem reflexão não produzem aprendizagens, e como vocẽ mostrou, as vezes nem informações. Assim com um conjunto de tijolos não formam necessariamente uma casa, um conjunto de 140 caracteres não produzem necessariamente informação.
E com certeza, no caso geral, não contribuem em nada para aprendizagens… é o mero oba oba do hype!
abs
Gostei bastante do texto e fica uma ótima provocação.
Parece-me que sempre terminamos no mesmo problema: Tentar encontrar os problemas para resolver com a solução da moda!!! É sempre um inversão: tentar fazer com que ferramentas criadas para uma dada situação ou função, sejam utilizadas para outra.
Desta maneira, ficamos sempre atrelados ao momento, ao novo, aos modismos; e não nos empenhamos em uma reflexão que conduza a construção de ferramentas próprias para os processos de ensino-aprendizagem.
Por favor, lembre-se que tais ideías não são absolutas e estao abertas ao debate e discussão (de preferência, em mais do que 140 caracteres!!!)
Abraços, Carlos
Olá Carlos Frederico,
Este é o ponto, em geral, em nome dos modismos tecnológicos as vezes colocamos a carroça na frente dos bois! No fundo, acredito que nós, os professores, é que teremos que aprender a programar para produzirmos nossos próprios aplicativos, centrados nas nossas reais necessidades.
Obrigado por participar das conversações.
abs
Salve, Sérgio,
É verdade.
Já me passou pela cabeça investir tempo e recursos na elaboração/programação de aplicativos e cheguei a construir alguns.
Entrentanto, o mundo gira cada vez mais rápido e vemos que as ferramentas que dominamos, logo tornam-se obsoletas.
Nem o novo Windows as aceita mais!!!
Mas, eis que surge a solução: Cooperação!!
É impossível que nós – professores – consigamos sozinhos dar conta desta miríade de aplicativos e tecnologias que surgem a cada instante.
Precisamos, sim, é que cada profissional seja um professor/educador.
Precisamos de programadores com competências pedagógicas.
Precisamos de jornalistas com competências pedagógicas.
Enfim, precisamos que a toda a sociedade entenda e aceite a Educação como a única prioridade.
É através da Educação que o cidadão se forma e enriquece.
Recentemente, tive a oportunidade de desenvolver um texto em Química para um curso a distância.
Confesso que fiquei muito entusiamado com a equipe. Ter a oportunidade de ver tantos programadores/designers/animadores/professores juntos, produzindo um material para ensino.
Ainda espero ter a oportunidade de repetir tal experiência.
Um abraço, Carlos
Caro Sérgio,
Bastante lúcido seu artigo, e quero parabenizá-lo pelos argumentos. Também penso que um microblog não se presta tão bem à aprendizagem quanto muitas outras ferramentas, e só acrescentaria que a idéia por tráz deles nem é essa mesma… os microblogs se prestam mais a informação do que à formação! Como você mostrou muito bem, outras ferramentas permitem a organização das idéias e a indexação delas de maneira muito mais eficiente e eficáz do que neles, mas ainda vejo alguma utilidade para eles no processo ensino-aprendizagem.
Faço parte de alguns grupos de estudos e discussões onde alguns tópicos são disparados via microblog, para depois serem debatidos em outras redes sociais ou em eventos presenciais. Baseado nessa minha experiência, percebo que seu uso pedagógico estaria muito atrelado à etapa de ensino onde se faz uso deles. Não dá para usar microblogs com eficácia na educação fundamental, por exemplo, mas eles são extremamente úteis em uma graduação, ou pós-graduação, especialmente se forem associados ao uso em dispositivos móveis, como smartphones ou tablets.
Só faria uma pequena crítica ao seu primeiro argumento: Não se esqueça de que as pessoas aprendem de muitas maneiras diferentes, mesmo as que estão se iniciando na educação formal. Cada aluno tem seu estilo próprio, o que nos leva a crer que para cada estilo uma ferramenta pode ter mais eficácia do que para outros. Assim, você pode ser levado a crer que somente através da reflexão é possível apreender as lições de Física por traz de um texto sobre dilatação térmica, por exemplo. Mas ocorre que outros alunos preferirão uma experiência virtual, onde poderão manipular parâmetros dessa experiência e visualizarem seus efeitos no resultado final. E outros irão preferir participar de jogos onde serão expostos a muitas situações demonstrativas de dilatação térmica, acumulando exemplos até compreenderem o processo por tráz de uma dilatação. Não dá mais para afirmarmos taxativamente que “SÓ” através da reflexão é que se dá o processo de aprendizagem, caro amigo. Leia algo sobre a hiper-badalada “Geração Y”, e verá o que digo (apesar de saber que você detesta badalação! E eu também!).
É isso. Permita-me citá-lo quando algum colega aparecer com a idéia de usar microblogs em sala de aula? Com seus argumentos, pretendo redirecionar nossos esforços para outras ferramentas, mais adequadas aos nossos objetivos educacionais!
Forte abraço,
Prof. Suintila
Olá Prof. Suintila,
Obrigado por participar das conversações e, mais importante, agregar valor ao tema com sua ótima contribuição quanto aos estilos diferentes de aprendizagem.
Abraços
Prezado Sergio
Concordo com você quando diz que o twitter não serve para desenvolver um pensamento crítico, criar uma interação significativa, a limitação imposta aos 140 caracteres e é claro os objetivos educacionais.
Gostaria de dizer que utillizo o twitter com outros objetivos que considero importantes:
- pesquisa/atualização: muita coisa interessante descobri graças a “troca de figurinhas” com pessoas do mundo inteiro;
-tempo real: nos acontecimentos recentes acompanhamos com uma nova visão, com pontos de vistas divergentes da mídia tradicional, podemos ter nossa voz, mesmo que não seja a verdade absoluta, mas é nossa opinião;
-novidades: no pouco tempo que temos para nos manter atualizados, a ajuda das pessoas que seguimos e nos seguem facilitam essas descobertas;
-vejo iniciativas interessantes de micro blogs que procuram o “se vira nos 140″….poesia concreta, micro contos ou seja, dizer muito com pouco. Produzir um texto sem limites de tamanho e depois produzir uma síntese em 140 caracteres é algo que merece nossa atenção.
Por muito tempo tive preconceito em relação ao twitter (devido ao mau uso que ouvia até conhecer) e como toda ferramenta depende de como utilizamos.
Finalizando…parabéns pelo post e graças ao twitter que tomei conhecimento e estou aqui postando….abraços
Opa Edberto,
Sem dúvida que os microblogues tem o seu valor como ferramenta de espalhamento de notícias(brodcast), conversas rápidas, conexões, divulgaçao e etc…
Neste texto eu quis apenas ponderar com aqueles deslumbrados com a ferramenta que acham que ela deve ser utilizada, em detrimento de outras mais adequadas, para fins educacionais.
Eu tenho 2 perfis no twitter e minha opinião geral sobre o mesmo pode ser lida aqui: http://goo.gl/7fpsM Somente em educação que eu acho que há várias ferramentas muito mais efetivas que microblogues. Mas como já disse, não há absolutos, as pessoas tem gostos e escolhas diferentes e 3 vivas por isto
abs
Com certeza Sergio
Conviver com as diferenças e especifidades de cada um é fundamental. Viva a diversidade. Desenvolver um trabalho diversificado, personalizado pressupoe respeitar o ritmo de cada um…
Abcs
[...] segunda atividade que participei, centralizou a discussão na ferrementa que considero menos efetiva para aprendizagens (twitter) e, secundariamente, tentou sistematizar a produção descentralizada dos participantes aqui e [...]
[...] na Educação#jovaed #ple Uma resenha do que participei | E-portifólio do Prof. Sérgio Lima em 5 motivos para não se usar microblogues em educaçãoSergio F. Lima em Instrucionismo, construtivismo ou [...]